quinta-feira, 21 de abril de 2011

Resenha crítica sobre o filme “Obrigado Por Fumar” com base na introdução do texto “Tratado da Argumentação” de Perelman, por Isadora Mann

O filme de 2006 “Obrigado por Fumar” é uma produção satírica sobre a indústria do cigarro e do tabaco. Seu personagem principal, Nick Naylor é o principal porta-voz das grandes empresas de cigarros. Ele é um lobista e um ás da retórica e da argumentação. Ele mesmo diz que se alguém consegue vender cigarros, pode vender qualquer coisa. Afinal, o que está em jogo não é a moralidade da questão, mas a habilidade dos argumentadores em persuadir as pessoas (nesse caso, convencer que o cigarro não faz mal). Usando as palavras certas, o tom certo de voz e a convicção (mesmo que seja falsa) no que está falando, o protagonista é altamente bem sucedido em sua área. Sua fama faz com que Nick atraia a atenção dos principais chefes da indústria do tabaco e também de Heather Holloway, a repórter de um jornal de Washington que deseja investigá-lo. Ele diz repetidamente que trabalha apenas para pagar as contas, mas a atenção cada vez maior que seu filho Joey dá ao seu trabalho começa a preocupá-lo.

A introdução de “Tratado da Argumentação” de Perelman fala sobre a nova retórica. Apresenta um estudo sobre o raciocínio, a retórica e o mais importante, a argumentação. Resumindo, é um estudo sobre o poder da palavra. Esse estudo, basicamente, preocupa-se em analisar a estrutura da argumentação, os recursos discursivos, a técnica que utiliza a linguagem para persuadir, convencer e influenciar comportamentos.

Só com essas informações, já é possível traçar paralelos entre o filme e a introdução do texto. Perelman utiliza três termos em sua obra: “discurso”, “orador” e “auditório”. O primeiro é a argumentação, o segundo é aquele que a apresenta e o terceiro é o público a quem ela se dirige. Comparando com o filme, o orador é o protagonista Nick Naylor; o discurso é que o cigarro não faz mal à saúde; e o auditório é a população em geral, tanto os fumantes quanto os não fumantes. Asim como Perelman estuda os recursos discursivos para obter a adesão das pessoas, o protagonista do filme utiliza incansavelmente e com tremendo sucesso esses mesmos recursos, com o mesmo objetivo. Seu sucesso provém do fato dele saber tirar o máximo proveito do poder das palavras. Assim como Perelman menciona na introdução que a teoria da argumentação poderia ter sido tratada como um ramo da psicologia, o protagonista, ao se utilizar de todas as técnicas argumentativas possíveis, acaba por “mexer” com a cabeça de seu auditório ao dizer repetidas vezes (com maestria) que o cigarro não faz mal. Isso aumenta ainda mais o público fumante (ao mesmo tempo em que pessoas não fumantes passam a consumir cigarro), o que faz a indústria do tabaco crescer cada vez mais e o sucesso profissional de Nick aumentar. No final, o filme não é sobre o cigarro, mas sim sobre o poder da retórica e da argumentação. Assim como a obra de Perelman.

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